Sobre a questão energética
Ual!
Quando eu vi isso eu pensei: eu preciso escrever sobre isso.
Eu não sei se a frase e o desenho são do Juan
Se só a frase, se só o desenho....
Mas amei os dois.
A questão energética não passa, como muitos possam pensar, pela questão religiosa, crença, mística... A questão energética é REAL.
Freud entedia a PSIQUE humana como uma energia (como alma mesmo - psique vem do grego alma). Uma energia que está em todo nosso corpo e não apenas no nosso cérebro. Os cientistas céticos continuam a achar que a nossa personalidade, o nosso EGO, o nosso ser individual habita no cérebro. Essa é uma visão muito reducionista do que é o ser humano.
O nosso sistema nervoso central: cérebro e medula, está totalmente conectado ao sistema nervoso periférico: todas as células nervosas (neurônios) que se encontram em todo o nosso corpo.
Quando eu tive herpes zoster na perna (panturrilha esquerda) fiquei por dois anos sem sentir o meu dedo mindinho do pé esquerdo. A herpes zoster é um vírus que ataca as células nervosas. E hoje ainda depois de quase quatro anos ainda tenho resquícios de sequela.
O que acontece?
Os neurônios que ligam o dedo mindinho ao cérebro foram afetados pelo vírus. O sinal: dedo mindinho do pé esquerdo não chega ao cérebro e simplesmente “deixa de existir no cérebro”.
Pense em uma crise nervosa ou de estresse: seus ombros, trapézio, pescoço ficam tensos; suas mãos podem tremer ou suar muito; seus estomago pode doer; seu coração pode acelerar; sua respiração pode ficar ofegante; etc. Os impulsos enviados para o cérebro de que há algo de errado se espalham por todo o corpo.
E como o cérebro sabe que há algo errado, pelo que ele captou através dos sentidos: a visão, o olfato, o paladar, o tato, a audição, a percepção do tempo (exemplo: preciso entregar um job às 18h00 e já são 17h30) e a percepção do espaço (como vou conseguir entrar no vagão do metrô na praça da sé às 18h00 – em tempos que não havia pandemia, sinceramente não sei como está hoje).
[[[Conteúdo aleatório:
Hoje já entendemos que temos 7 sentidos e não 5. Não faz mais sentido dizer: “meu sexto sentido diz que....”. Agora temos que dizer: meu oitavo sentido diz que.... rs
Assim como hoje entendemos que não vivemos mais em um mundo 3 D (comprimento, largura e altura), mas em (na minha opinião) um mundo no mínimo 5 D (comprimento, largura, altura, profundidade e tempo) e muitos cientistas já defendem essa tese. Achei na internet a seguinte frase: “estamos providos de três dimensões a constituírem as modalidades de nossa vida: a dimensão física, a dimensão psíquica e a dimensão simbólica.” (Jornal do Comércio - As três dimensões humanas (jornaldocomercio.com)). Então seriam 7 dimensões: 5 físicas + psíquica + simbólica...
Enfim, não nos estendamos nesses por menores.]]]
Sendo assim todo nosso corpo é palco da ação emocional (psíquica).
E não é segredo para ninguém que nosso corpo é movido pela energia produzida pela alimentação.
(Aulas de biologia no ensino médio ATP e sei lá mais OQ)
E nessa lógica minha, você não precisa concordar – mas acho que Freud concordaria – nosso psiquismo é PURA ENERGIA!
“Mano do céu, que viagem! Que chá essa mina tomou?”
Camomila com maracujá, porquê essa semana tá TENSA.
Eu sempre disse, na sessão eu – paciente - paciente – eu os INCONSCIENTES entram em contato. O paciente com a associação livre e eu com a atenção flutuante. Nada mais existe além disso.
Mas desde março de 2020, com as sessões on line o trabalho do analista ficou muito mais difícil. Não há o encontro energético, os encontros ente os INCONSCIENTE.
Para suportar esse IMENSO VAZIO que é a presença energética do outro, inicialmente eu peguei o hábito de anotar loucamente tudo o que o paciente falava. Se pegarmos as minhas anotações desse período, cada sessão tem 5 folhas “de fichário” frente e verso, por sessão.
Com o tempo comecei a selecionar as anotações e hoje faço no máximo 2 folhas3 anos atrás, mas não lembro o que ele disse na semana passada.
O sentimento que tenho é que quando o paciente entrava na sala minha mente se desligava de tudo e automaticamente se ligava a mente do paciente, me fazendo lembrar de tudo o que o paciente já tinha me contado. E as anotações pós consulta eram de cunho: o CRP me obriga a fazer isso.
Hoje sinto que realmente preciso das anotações e vivo a consulta-las. Lembro coisas que um paciente me disse a 3 anos atrás, mas esqueço do que o paciente me disse na semana passada.
Fica mais difícil entender o que a pessoa quis realmente dizer, como ela de fato está (nas mensagens, nas lives, nas calls, nas conferences...), qual o humor da pessoa, qual o sentimento da pessoa, o olhar e energia, as mensagens inconscientes do corpo (cada mínimo movimento que não pode ser visto em uma conference em que aparece apenas o rosto atrás do filtro de uma câmera e de uma tela –2 filtros - além dos filtros que os aplicativos oferecerem que podem mudar a pele ou uma olheira) a relação torna-se mais vazia, mais superficial, menos íntima e mesmo sem percebemos o nosso corpo pede por intimidade e o sintoma é uma angústia sem nome: “não entendo de onde vem isso, deve ser da pandemia.”
Pode ser o medo da morte, o medo de perder alguém, o medo de adoecer, mas pode ser o sentimento de estar só, de não ser compreendido e de não compreender o outro.
O ser humano é um ser completamente social. Isso quer dizer que dificilmente um ser humano sozinho sobreviveria e também quer dizer que a perpetuação da nossa espécie dependeu completamente da capacidade social do ser humano e principalmente da comunicação.
Entendemos que a comunicação não é só verbal através da linguagem. Se assim fosse não entenderíamos que nosso gato está com fome quando ele anda atrás de nós miando, que nosso cachorro está feliz quando chegamos em casa e ele vem nos recepcionar na porta com o rabo abanando, etc.
A comunicação trata-se de um conjunto complexo de fatores associados: os gestos, o olhar, o aspecto da face, o tom da voz, a cadencia da fala, o ritmo, E A ENERGIA etc.
Por exemplo, quando alguém nos faz a pergunta: “quer um copo de água?” ela não diz: "quer um copo de água ponto de interrogação”. Pela candência, pelo ritmo, pelos gestos etc. Sabemos que a pessoa está nos perguntando e não afirmando.
Nas relações de WhatsApp (mesmo com vídeo da nossa cara), perdemos muitos aspectos da comunicação e a compreensão do outro torna-se potencialmente mais complexa e complicada.
Vemos diariamente pessoas que sofrem por interpretar erroneamente uma mensagem no WhatsApp.
Enfim, as relações humanas vão muito além da linguagem escrita ou falada. Com as relações remediadas por objetos eletrônicos, surge um grande sentimento de não relação. Gerando angustia, vazio existencial, ansiedade, melancolia e muitos outros transtornos psicológicos.
CLAUDIA SCARMAGNANI
22/08/2021
